quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Galp mantém indefinição sobre data do furo no Alentejo

"Pode ser este ano ou no próximo, diz a Galp. A decisão está nas mãos da italiana Eni, que lidera o consórcio.

O furo de pesquisa na costa alentejana ainda não tem data marcada para avançar. Pode ser neste ano, ou no próximo, adiantou esta terça-feira o presidente da Galp, empresa que tem 30% do consórcio com autorização para procurar petróleo na costa alentejana, a 46 quilómetros de Aljezur. A perfuração “será feita quando estiverem reunidas todas as condições”, mas a data continua em aberto disse Carlos Gomes da Silva, em conferência de imprensa, em Londres.

Por questões relacionadas com condições marítimas e meteorológicas, há uma “janela de oportunidade entre Abril e Maio” para realizar este tipo de operações. Há-de ser “num qualquer Abril” que o furo se realizará, adiantou o presidente da Galp. Horas antes, na apresentação do plano estratégico da Galp para os próximos cinco anos, o administrador da empresa com o pelouro da exploração e produção, Thore E. Kristiansen, tinha apontado 2018 como a data mais provável: “Possivelmente iremos furar pela primeira vez em Portugal no próximo ano”, disse Kristiansen a uma plateia de investidores e analistas.
Certo é que a decisão terá de partir da Eni, que lidera o consórcio e tem neste momento importantes projectos de investimento com garantia de rentabilidade em geografias bem distantes de Portugal, como o Egipto. Em causa, neste projecto português que pode ter “uma taxa de sucesso inferior a 20%” e que tem um prazo médio de execução entre 45 e 60 dias, pode estar um investimento de um milhão de dólares por dia, admitiu Carlos Gomes da Silva.

“O que estamos a propor [com este projecto] é perceber melhor o leito submarino relativamente aos seus recursos energéticos e de biodiversidade”, disse o presidente da Galp, sustentando que “um país que não conhece os seus recursos não os consegue desenvolver”, mas também pode estar a criar falsas expectativas.A sondagem de pesquisa na costa alentejana já esteve prevista para 2015 e depois passou para o Verão de 2016. Apesar de a Eni ter avançado com os pedidos de autorização necessários, nem assim o projecto saiu do papel dentro da data prevista. Foi no início de Abril de 2016 que a operadora italiana pediu à Direcção-geral dos Recursos Marítimos (DGRM) a autorização para realizar a primeira perfuração na bacia alentejana, a 46 quilómetros da costa vicentina.

A entidade tutelada pela ministra do Mar, Ana Paula Vitorino, só abriu a consulta pública para este pedido cerca de mês e meio depois do requerimento da Eni (a 18 de Maio). E o processo, que deveria durar 15 dias úteis (devendo decorrer entre 31 de Maio e 22 de Junho), acabou por estender-se por mais 30 dias, recolhendo a participação de milhares de pessoas que se manifestaram contra a exploração de petróleo e gás nas águas do Alentejo, apoiadas nas autarquias do litoral alentejano e algarvio e em várias associações ambientalistas.

O Estado deveria ter-se pronunciado sobre o requerimento da Eni em Setembro, mas a verdade é que a autorização para furar só chegou às mãos dos italianos já este ano, em Janeiro. De acordo com o documento consultado pelo PÚBLICO, este título de utilização privativa do espaço marítimo nacional, ou TUPEM, é válido até 2019. Com ele, a Eni e a Galp ficam autorizadas a fazer um furo de pesquisa entre os 2500 e os 3000 metros de profundidade em águas profundas da bacia do Alentejo. Para realizar este furo, baptizado pelo consórcio como Santola 1X, bastará que a Eni envie à DGRM, até dez dias antes do seu início, o respectivo cronograma. A operação de sondagem deverá ocorrer dentro de um período de 60 dias, diz a DGRM.

Ao contrário do que sucedeu com o consórcio da Repsol e Partex para pesquisar gás na costa algarvia e com a concessão atribuída ao empresário Sousa Cintra para pesquisar em terra no Algarve, no caso da concessão atribuída à Eni e à Galp o primeiro-ministro António Costa tem afirmado que não há quaisquer incumprimentos por parte das empresas que permitam anular este contrato." (in PUBLICO)

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Viagens de Dezembro: Estremoz

De Arraiolos a Estremoz ha paisagem. Percorre-se terra de vinha e olival mas a nao se entra em monotonia - ate porque Estremoz e' logo ali, a escassos quarenta quilometros, mais coisa, menos coisa.


























O largo do castelo de Estremoz - hoje em dia transformado em pousada - e' muito rico em termos arquitectonicos revelando excepcional importancia no que toca ao uso dos marmores brancos extraidos ali da terra. Neste local, alem da vista, temos a capela da rainha Santa Isabel, a estatua da mesma, os pacos do concelho e a capela de Nosso Senhor dos Inocentes. Ha portanto muita coisa para ver so neste pequeno largo.



O resto da cidade tem muita coisa para ver e ruas para percorrer mas, dada a hora e as poucas horas de luz ainda disponiveis desta tarde de Dezembro resolveu-se embarcar no carro e fazer caminho ate 'a pedreira junto ao cemiterio da cidade (se nao estou em erro trata-se da pedreira "Pardal Monteiro"). La chegados, a momentos do encerramento as visitas, ainda foi possivel observar a "cratera" e os blocos de marmore por ali empilhados.


























Esta paragem traz-me a memoria os tempos de estudos e viagens de curso onde tambem aqui em Estremoz fizemos paragem, pernoitamos e, de saida, visitamos esta mesma pedreira. 
Desde esses anos, parece-me que, embora o negocio do marmore tenha estagnado, as vinhas e o olival floresceram. E ainda bem que ha alternativas a industria mas nao convem deixar em esquecimento este recurso historico desta industria extractiva - o marmore local possui caracteristicas que o tornam unico no mundo.



Encerra o horario laboral e termina-se a visita. A estrada agora aponta para Vila Vicosa.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Viagens de Dezembro: Arraiolos

De Montemor-o-Novo a Arraiolos distam cerca de vinte quilometros que se percorrem num apice, dada a falta de transito caracteristica de uma hora de almoco alentejana de Dezembro.
Arraiolos descobre-se numa colina ao longe e o seu castelo sera' como um marco no topo. 


Contudo, a dita hora de almoco estava mesmo em vigor pelo que o destino mais procurado foi uma casa de pasto. Os tapetes, castelos e tudo o mais teriam que ficar para segundo plano. E que bem que se come nesta terra, especialmente se formos escolhendo o que e' do dia e o que e' tipico. Ora pois tiveram que aparecer na mesa o borrego e o porco preto - e em boa hora.
O passeio pos-repasto, alem das propriedades digestivas, teve o condao de contar novamente com o ceu azul e o sol quente. Das ruas do centro subimos ao castelo e dai nos despedimos.
Retornamos 'a estrada com mente no proximo destino: Estremoz.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Viagens de Dezembro: Montemor-o-Novo

Tal como nos Dezembros dos anos passados, neste ultimo nao houve excepcao, e voltou a haver percursos por este Portugal fora. Desta feita, dedicamos a viagem a cruzar boa parte do Alentejo. 



A primeira paragem foi em Montemor-o-Novo. Apesar da estadia ter sido curta, o tempo esteve optimo e deu ate para sentir calor na visita do interior das muralhas. O estado de conservacao nao e' extraordinario mas a tranquilidade e a panoramica deste monte alentejano acabam por valer de sobremaneira a visita. Passando a muralha voltada a norte - por onde se desenvolve a povoacao - destacam-se a casa da guarda, a torre do relogio, a praca de armas com a  antiga cisterna, as ruinas do paco do alcaide e de uma igreja. Nos tempo que correm, uma associacao cultural utiliza parte do espaco do antigo convento.
Aconselha-se tambem o percurso exterior 'a muralha que tem uma vista bastante desafogada sobretudo a sul.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Fósseis de quando a Península Ibérica era equatorial

"Na região de São Pedro da Cova, na Bacia Carbonífera do Douro, a equipa do paleontólogo Pedro Correia, do Instituto de Ciências da Terra da Universidade do Porto, encontrou duas novas espécies de plantas fossilizadas – Ilfeldia gregoriensis e Lesleya iberiensis – correspondentes à idade do Gzheliano (Carbonífero superior), há cerca de 303 milhões de anos.


Um exemplar da nova espécie Ilfeldia gregoriensis depositado no Museu de História Natural e da Ciência da Universidade do Porto.
As duas espécies ajudam a reconstituir a paisagem deste território na transição do Carbonífero para o Pérmico, pois são floras características de climas secos e áridos. A segunda, aliás, corresponde à primeira ocorrência do género Lesleya no maciço ibérico, provando que esta megaflora também crescia em ambientes montanhosos ripícolas. As jazidas de São Pedro da Cova, no concelho de Gondomar, são uma das áreas portuguesas mais ricas em fósseis de plantas extintas, ajudando a compreender melhor um período em que a Península Ibérica se encontrava situada numa zona equatorial, ou seja, em clima tropical e húmido.
Os novos fósseis de plantas juntam-se a outras descobertas de fósseis de insectos, igualmente descritos recentemente. Os trabalhos vão continuar, não apenas nesta região, “mas também noutras áreas da Bacia Carbonífera do Douro”, diz Pedro Correia." (in National GeographicFotografia João Nunes da Silva. Fonte “Lesleya Lesquereux from the Pennsylvanian of the Iberian Massif: part of a dryland megaflora from the Variscan orogen, northwestern Portugal” (2016), Pedro Correia et al.)

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Ciência dá vida à povoação alentejana do Lousal depois de fecho das minas

"Para a povoação alentejana do Lousal, o centro Ciência Viva instalado na antiga mina significa uma razão para continuar a ir a uma terra no fim de uma estrada e que passa agora fazer parte dum circuito de turismo científico.

Os 20 centros Ciência Viva do país são os pontos de referência de um guia que assinala outras atrações turísticas, alojamento e hotelaria, com descontos para quem queira conhecer o país partindo de disciplinas científicas como a biologia, a geologia ou a astronomia.
Desde 2010 no Lousal, o centro instalado no complexo da antiga mina de pirites, fechada em 1988, vive da história da atividade mineira e parte daí para dar aos visitantes experiências no domínio da química, geologia, física e ambiente.
Pode ainda ver-se a lagoa de águas ácidas que é drenada e purificada através de um sistema de piscinas em que são usadas plantas como os líquenes para extrair os metais pesados e uma galeria escavada na encosta onde antes se guardavam milhares de quilos de dinamite.
“Se não fosse isto, tínhamos aqui nada, zero”, disse à agência Lusa o mineiro José Pacheco, que assistiu em 1988 ao último dia de laboração da mina que durante décadas sustentou as centenas de famílias do Lousal.
Recordou que foi “muito triste”, sobretudo “numa zona tão carenciada de trabalho”, perderem-se de uma vez cerca de 600 postos de trabalho.

A explosão da atividade mineira deu-se em 1936, quando começou a ser explorada pela empresa belga SAPEC, e durante cinquenta anos saíram dos poços da mina, com cerca de 500 metros de profundidade, pirites das quais se extraía enxofre usado para produzir ácido sulfúrico e adubos.
A generalização da extração em minas de enxofre e a entrada da China no mercado fizeram com que o processo deixasse de ser rentável, por isso a laboração no Lousal parou, com o fim anunciado em 1987.
Junto ao relógio que na central elétrica do museu mineiro está para sempre parado nas 15:30, hora a que a última máquina deixou de funcionar, José Pacheco assinala que o centro é “uma fonte de postos de trabalho e uma mais-valia” para a terra.
Na mina trabalhava-se antes dos 18 anos nas oficinas, à superfície, mas aos 18 o destino era o poço, em ambientes que chegam aos 50 graus centígrados.
“Crescemos todos à força”, afirmou, lembrando que com o fim da exploração de pirites, a terra ficou sem vida e o caminho foi arranjar emprego em outros lados. Os que ficaram e eram velhos demais para mudar “morreram de tristeza”, disse.
A luz, água e habitação eram fornecidas pela mina mas “os salários eram miseráveis”. Para José Pacheco, o fim da mineração no Lousal acabou por ser uma oportunidade de ir ganhar mais em Neves Corvo, de onde se reformará daqui a dois meses.
Hoje, “é uma alegria” olhar para “os autocarros cheios de pessoal” e as excursões escolares que passam pelo centro e descobrem, visitando o museu e a galeria que está aberta para visitas, como trabalharam duas ou três gerações de alentejanos, incluindo o pai e o avô de José Pacheco.
Aberto em 2010, o museu acabou por revitalizar uma povoação que no pico da atividade mineira chegou a ter quase dois mil habitantes, mas que hoje em dia tem cerca de 700.
Como nos outros centros Ciência Viva do país, os circuitos recomendam outros pontos de interesse em redor, que no caso do Lousal são a experimentação agrícola na herdade Aberta Nova, o Museu da Ruralidade, o lagar de azeite Oliveira da Serra ou a praia da Galé.
A ideia, disse à Lusa a diretora da Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica, Rosalia Vargas é “conhecer melhor Portugal de um ponto de vista cultural, social, económico ou patrimonial”.
Com um cartão que se compra por 50 euros, um guia e uma aplicação para telemóvel criada pela empresa Vodafone, há mais de 200 etapas nos circuitos, com entrada gratuita em todos os centros e descontos em restaurantes, hotéis e outros parceiros de uma lista com mais de cem serviços.
A secretária de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Fernanda Rollo, disse à Lusa que o turismo científico é uma área a desenvolver, indicando que “já há pessoas a fazê-lo embora sem o designar dessa maneira”.
“É importante que as pessoas não olhem para o conhecimento e a ciência como uma coisa distante”, e que a sociedade “tome consciência de que lhe pertencem”, afirmou." (in SAPO)

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Eni e Galp já têm autorização para fazer furo no mar do Alentejo

"O consórcio formado pela Eni e pela Galp já tem autorização do Governo para fazer o furo de exploração petrolífera ao largo do Alentejo. 
A autorização para sondagem de pesquisa emitida pela Direcção-geral dos Recursos Naturais, Segurança e Serviços Marítimos (DGRM) tem data de 11 de Janeiro e é válida até 10 de Janeiro de 2019.
Com esta autorização (o título de utilização privativa do espaço marítimo nacional, ou TUPEM) em mãos, a Eni e a Galp têm carta-branca para fazer um furo de pesquisa entre os 2500 e os 3000 metros de profundidade em águas profundas da bacia do Alentejo, a 46,5 quilómetros da costa, em Aljezur.

Para realizar estes trabalhos - o furo Santola 1X - bastará que a petrolífera italiana, que é a operadora do consórcio, envie à DGRM até dez dias antes do seu início o respectivo cronograma.
Segundo a DGRM, a operação de sondagem deverá ocorrer dentro de um período de 60 dias, podendo ser interrompida “em função dos resultados do Programa de Monitorização Ambiental e Caracterização Ecológica” ou ainda devido a “causas naturais” como a agitação marítima.

Questionado nesta sexta-feira no Parlamento pela líder do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, sobre a autorização, o primeiro-ministro respondeu que, ao contrário do sucedido com os contratos de exploração de Sousa Cintra e do consórcio Repsol/Partex para o Algarve, neste caso, não havia nos termos contratuais razões que permitissem ao Estado anular os contratos.
Lembrando a oposição das populações e das autarquias alentejanas e algarvias ao processo, Catarina Martins considerou "um erro" a autorização para avançar com a pesquisa, advertindo que o país poderá "pagar caro" este passo, no caso de acidente futuro. A deputada disse acreditar que ainda há margem para "impedir o furo" em Aljezur e prometeu que os bloquistas vão trabalhar nesse sentido.
Mas António Costa insistiu que o Governo não tinha margem para desfazer os contratos, porque as situações de atraso neste processo eram imputáveis ao Estado e não havia qualquer incumprimento do consórcio.

Foi no início de Abril de 2016 que a Eni pediu à DGRM a autorização para realizar a primeira perfuração na bacia alentejana, a 46 quilómetros da costa vicentina. Nos planos da empresa italiana contava-se que o TUPEM ficasse disponível a partir de 1 Julho e fosse válido por 46 dias.
A entidade tutelada pela ministra do Mar só abriu a consulta pública cerca de mês e meio depois do requerimento da Eni (a 18 de Maio). Mas este processo que deveria durar 15 dias úteis (devendo decorrer entre 31 de Maio e 22 de Junho) acabou por estender-se por mais 30 dias, recolhendo a participação de milhares de pessoas que se manifestaram contra a exploração de petróleo e gás nas águas do Alentejo, apoiadas nas autarquias do litoral alentejano e algarvio e em várias associações ambientalistas.
Na sequência da consulta, o parecer da DGRM deveria ter sido emitido em Setembro do ano passado, mas ficou pendente vários meses no Ministério do Mar, liderado pela ministra Ana Paula Vitorino.
Assim, o processo de exploração na costa alentejana esteve parado desde então, com as empresas do consórcio a admitirem que a concessão recebida do Estado em 2007 teria de ser revista, antes que se pudessem continuar os trabalhos de sondagem.
Neste projecto do Alentejo há “probabilidade de sucesso inferior a 20%” quanto à possibilidade de descoberta de petróleo em quantidades comercialmente viáveis, afirmou em tempos o anterior presidente da Galp Manuel Ferreira de Oliveira." (in PUBLICO)