terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Viagens de Dezembro: Arraiolos

De Montemor-o-Novo a Arraiolos distam cerca de vinte quilometros que se percorrem num apice, dada a falta de transito caracteristica de uma hora de almoco alentejana de Dezembro.
Arraiolos descobre-se numa colina ao longe e o seu castelo sera' como um marco no topo. 


Contudo, a dita hora de almoco estava mesmo em vigor pelo que o destino mais procurado foi uma casa de pasto. Os tapetes, castelos e tudo o mais teriam que ficar para segundo plano. E que bem que se come nesta terra, especialmente se formos escolhendo o que e' do dia e o que e' tipico. Ora pois tiveram que aparecer na mesa o borrego e o porco preto - e em boa hora.
O passeio pos-repasto, alem das propriedades digestivas, teve o condao de contar novamente com o ceu azul e o sol quente. Das ruas do centro subimos ao castelo e dai nos despedimos.
Retornamos 'a estrada com mente no proximo destino: Estremoz.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Viagens de Dezembro: Montemor-o-Novo

Tal como nos Dezembros dos anos passados, neste ultimo nao houve excepcao, e voltou a haver percursos por este Portugal fora. Desta feita, dedicamos a viagem a cruzar boa parte do Alentejo. 



A primeira paragem foi em Montemor-o-Novo. Apesar da estadia ter sido curta, o tempo esteve optimo e deu ate para sentir calor na visita do interior das muralhas. O estado de conservacao nao e' extraordinario mas a tranquilidade e a panoramica deste monte alentejano acabam por valer de sobremaneira a visita. Passando a muralha voltada a norte - por onde se desenvolve a povoacao - destacam-se a casa da guarda, a torre do relogio, a praca de armas com a  antiga cisterna, as ruinas do paco do alcaide e de uma igreja. Nos tempo que correm, uma associacao cultural utiliza parte do espaco do antigo convento.
Aconselha-se tambem o percurso exterior 'a muralha que tem uma vista bastante desafogada sobretudo a sul.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Fósseis de quando a Península Ibérica era equatorial

"Na região de São Pedro da Cova, na Bacia Carbonífera do Douro, a equipa do paleontólogo Pedro Correia, do Instituto de Ciências da Terra da Universidade do Porto, encontrou duas novas espécies de plantas fossilizadas – Ilfeldia gregoriensis e Lesleya iberiensis – correspondentes à idade do Gzheliano (Carbonífero superior), há cerca de 303 milhões de anos.


Um exemplar da nova espécie Ilfeldia gregoriensis depositado no Museu de História Natural e da Ciência da Universidade do Porto.
As duas espécies ajudam a reconstituir a paisagem deste território na transição do Carbonífero para o Pérmico, pois são floras características de climas secos e áridos. A segunda, aliás, corresponde à primeira ocorrência do género Lesleya no maciço ibérico, provando que esta megaflora também crescia em ambientes montanhosos ripícolas. As jazidas de São Pedro da Cova, no concelho de Gondomar, são uma das áreas portuguesas mais ricas em fósseis de plantas extintas, ajudando a compreender melhor um período em que a Península Ibérica se encontrava situada numa zona equatorial, ou seja, em clima tropical e húmido.
Os novos fósseis de plantas juntam-se a outras descobertas de fósseis de insectos, igualmente descritos recentemente. Os trabalhos vão continuar, não apenas nesta região, “mas também noutras áreas da Bacia Carbonífera do Douro”, diz Pedro Correia." (in National GeographicFotografia João Nunes da Silva. Fonte “Lesleya Lesquereux from the Pennsylvanian of the Iberian Massif: part of a dryland megaflora from the Variscan orogen, northwestern Portugal” (2016), Pedro Correia et al.)

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Ciência dá vida à povoação alentejana do Lousal depois de fecho das minas

"Para a povoação alentejana do Lousal, o centro Ciência Viva instalado na antiga mina significa uma razão para continuar a ir a uma terra no fim de uma estrada e que passa agora fazer parte dum circuito de turismo científico.

Os 20 centros Ciência Viva do país são os pontos de referência de um guia que assinala outras atrações turísticas, alojamento e hotelaria, com descontos para quem queira conhecer o país partindo de disciplinas científicas como a biologia, a geologia ou a astronomia.
Desde 2010 no Lousal, o centro instalado no complexo da antiga mina de pirites, fechada em 1988, vive da história da atividade mineira e parte daí para dar aos visitantes experiências no domínio da química, geologia, física e ambiente.
Pode ainda ver-se a lagoa de águas ácidas que é drenada e purificada através de um sistema de piscinas em que são usadas plantas como os líquenes para extrair os metais pesados e uma galeria escavada na encosta onde antes se guardavam milhares de quilos de dinamite.
“Se não fosse isto, tínhamos aqui nada, zero”, disse à agência Lusa o mineiro José Pacheco, que assistiu em 1988 ao último dia de laboração da mina que durante décadas sustentou as centenas de famílias do Lousal.
Recordou que foi “muito triste”, sobretudo “numa zona tão carenciada de trabalho”, perderem-se de uma vez cerca de 600 postos de trabalho.

A explosão da atividade mineira deu-se em 1936, quando começou a ser explorada pela empresa belga SAPEC, e durante cinquenta anos saíram dos poços da mina, com cerca de 500 metros de profundidade, pirites das quais se extraía enxofre usado para produzir ácido sulfúrico e adubos.
A generalização da extração em minas de enxofre e a entrada da China no mercado fizeram com que o processo deixasse de ser rentável, por isso a laboração no Lousal parou, com o fim anunciado em 1987.
Junto ao relógio que na central elétrica do museu mineiro está para sempre parado nas 15:30, hora a que a última máquina deixou de funcionar, José Pacheco assinala que o centro é “uma fonte de postos de trabalho e uma mais-valia” para a terra.
Na mina trabalhava-se antes dos 18 anos nas oficinas, à superfície, mas aos 18 o destino era o poço, em ambientes que chegam aos 50 graus centígrados.
“Crescemos todos à força”, afirmou, lembrando que com o fim da exploração de pirites, a terra ficou sem vida e o caminho foi arranjar emprego em outros lados. Os que ficaram e eram velhos demais para mudar “morreram de tristeza”, disse.
A luz, água e habitação eram fornecidas pela mina mas “os salários eram miseráveis”. Para José Pacheco, o fim da mineração no Lousal acabou por ser uma oportunidade de ir ganhar mais em Neves Corvo, de onde se reformará daqui a dois meses.
Hoje, “é uma alegria” olhar para “os autocarros cheios de pessoal” e as excursões escolares que passam pelo centro e descobrem, visitando o museu e a galeria que está aberta para visitas, como trabalharam duas ou três gerações de alentejanos, incluindo o pai e o avô de José Pacheco.
Aberto em 2010, o museu acabou por revitalizar uma povoação que no pico da atividade mineira chegou a ter quase dois mil habitantes, mas que hoje em dia tem cerca de 700.
Como nos outros centros Ciência Viva do país, os circuitos recomendam outros pontos de interesse em redor, que no caso do Lousal são a experimentação agrícola na herdade Aberta Nova, o Museu da Ruralidade, o lagar de azeite Oliveira da Serra ou a praia da Galé.
A ideia, disse à Lusa a diretora da Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica, Rosalia Vargas é “conhecer melhor Portugal de um ponto de vista cultural, social, económico ou patrimonial”.
Com um cartão que se compra por 50 euros, um guia e uma aplicação para telemóvel criada pela empresa Vodafone, há mais de 200 etapas nos circuitos, com entrada gratuita em todos os centros e descontos em restaurantes, hotéis e outros parceiros de uma lista com mais de cem serviços.
A secretária de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Fernanda Rollo, disse à Lusa que o turismo científico é uma área a desenvolver, indicando que “já há pessoas a fazê-lo embora sem o designar dessa maneira”.
“É importante que as pessoas não olhem para o conhecimento e a ciência como uma coisa distante”, e que a sociedade “tome consciência de que lhe pertencem”, afirmou." (in SAPO)

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Eni e Galp já têm autorização para fazer furo no mar do Alentejo

"O consórcio formado pela Eni e pela Galp já tem autorização do Governo para fazer o furo de exploração petrolífera ao largo do Alentejo. 
A autorização para sondagem de pesquisa emitida pela Direcção-geral dos Recursos Naturais, Segurança e Serviços Marítimos (DGRM) tem data de 11 de Janeiro e é válida até 10 de Janeiro de 2019.
Com esta autorização (o título de utilização privativa do espaço marítimo nacional, ou TUPEM) em mãos, a Eni e a Galp têm carta-branca para fazer um furo de pesquisa entre os 2500 e os 3000 metros de profundidade em águas profundas da bacia do Alentejo, a 46,5 quilómetros da costa, em Aljezur.

Para realizar estes trabalhos - o furo Santola 1X - bastará que a petrolífera italiana, que é a operadora do consórcio, envie à DGRM até dez dias antes do seu início o respectivo cronograma.
Segundo a DGRM, a operação de sondagem deverá ocorrer dentro de um período de 60 dias, podendo ser interrompida “em função dos resultados do Programa de Monitorização Ambiental e Caracterização Ecológica” ou ainda devido a “causas naturais” como a agitação marítima.

Questionado nesta sexta-feira no Parlamento pela líder do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, sobre a autorização, o primeiro-ministro respondeu que, ao contrário do sucedido com os contratos de exploração de Sousa Cintra e do consórcio Repsol/Partex para o Algarve, neste caso, não havia nos termos contratuais razões que permitissem ao Estado anular os contratos.
Lembrando a oposição das populações e das autarquias alentejanas e algarvias ao processo, Catarina Martins considerou "um erro" a autorização para avançar com a pesquisa, advertindo que o país poderá "pagar caro" este passo, no caso de acidente futuro. A deputada disse acreditar que ainda há margem para "impedir o furo" em Aljezur e prometeu que os bloquistas vão trabalhar nesse sentido.
Mas António Costa insistiu que o Governo não tinha margem para desfazer os contratos, porque as situações de atraso neste processo eram imputáveis ao Estado e não havia qualquer incumprimento do consórcio.

Foi no início de Abril de 2016 que a Eni pediu à DGRM a autorização para realizar a primeira perfuração na bacia alentejana, a 46 quilómetros da costa vicentina. Nos planos da empresa italiana contava-se que o TUPEM ficasse disponível a partir de 1 Julho e fosse válido por 46 dias.
A entidade tutelada pela ministra do Mar só abriu a consulta pública cerca de mês e meio depois do requerimento da Eni (a 18 de Maio). Mas este processo que deveria durar 15 dias úteis (devendo decorrer entre 31 de Maio e 22 de Junho) acabou por estender-se por mais 30 dias, recolhendo a participação de milhares de pessoas que se manifestaram contra a exploração de petróleo e gás nas águas do Alentejo, apoiadas nas autarquias do litoral alentejano e algarvio e em várias associações ambientalistas.
Na sequência da consulta, o parecer da DGRM deveria ter sido emitido em Setembro do ano passado, mas ficou pendente vários meses no Ministério do Mar, liderado pela ministra Ana Paula Vitorino.
Assim, o processo de exploração na costa alentejana esteve parado desde então, com as empresas do consórcio a admitirem que a concessão recebida do Estado em 2007 teria de ser revista, antes que se pudessem continuar os trabalhos de sondagem.
Neste projecto do Alentejo há “probabilidade de sucesso inferior a 20%” quanto à possibilidade de descoberta de petróleo em quantidades comercialmente viáveis, afirmou em tempos o anterior presidente da Galp Manuel Ferreira de Oliveira." (in PUBLICO)

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Galp ainda pode furar em alto mar à procura de petróleo, denuncia Bloco

"Presidente da empresa tinha dado o processo como morto, mas o Bloco tem dúvidas. Estado não conseguiu revogar esta concessão.

Se assim o entender, a Galp vai poder fazer pesquisa de petróleo em alto mar graças à concessão que lhe foi atribuída pelo Governo de Pedro Passos Coelho. A denúncia partiu da deputada bloquista Catarina Martins, esta sexta-feira, no Parlamento.
Contrariamente ao que o próprio presidente da Galp admitiu, em Julho de 2016, quando deu a entender que deixava cair a questão das prospecções na costa portuguesa, Catarina Martins denunciou, durante o debate quinzenal no Parlamento, que, pouco antes de abandonar o cargo, o director-geral dos Recursos Naturais, Segurança e Serviços Marítimos deu uma licença à Galp, autorizando por um período de 60 dias a perfuração em alto mar, na zona de costa frente a Aljezur.
“Agora soubemos que um director-geral dos Recursos Marítimos, mesmo antes de ir embora, emitiu uma licença que permite realizar 60 dias de operações, ou seja, que permite realizar fundos de alta profundidade no mar, e [a concessionária da exploração] só tem de avisar com dez dias de antecedência”, declarou Catarina Martins.
“Podemos estar perante o primeiro furo realizado em Portugal em mar de alta profundidade para a prospecção de petróleo e hidrocarbonetos”, avisou.
“É um processo que ninguém compreende. O presidente da Galp, que tinha a licença para esta exploração, já tinha dado o processo como morto no final de 2016. Carlos Gomes Silva dizia, em Julho passado, que a Galp não tinha não tinha condições para avançar porque a concessão termina no final de 2016 e para fazermos alguma coisa a concessão tinha que ser revista. Ora, o compromisso do Governo era não rever a concessão; ora, o compromisso que o Governo tinha feito era, em todos os casos que fosse possível, sem custos e sem litigância, reverter estes contratos. Ora, Janeiro de 2017 era o período em que se podia ter acabado com a possibilidade de furos no mar em Portugal”, criticou.
“Não é coisa pouca”, lembrou Catarina Martins. Um furo deste género “provocou 88 dias de derrame de petróleo no Golfo no México. É perigoso e não é por acaso que as populações se levantam contra estes furos”, disse, lembrando que mais de 40 mil pessoas participaram numa consulta pública para parar este furos em Portugal.
Estado não conseguiu revogar concessão
Confrontado com as declarações da líder do Bloco, o primeiro-ministro não negou essa informação.
António Costa explicou que com as concessões “onshore” (em terra) havia situações de “incumprimento” que permitiram que esses contratos fossem anulados. Havia depois as concessões “offshore” (no mar) e uma delas, por incumprimento do concessionário, levou à “declaração de caducidade da mesma”, perdendo assim a licença.
“Havia uma terceira concessão em que não havia incumprimento do concessionário e em que um atraso era imputável não ao concessionário, mas ao Estado. E tal como pudemos revogar as duas outras concessões, neste caso tivemos de manter a concessão”, afirmou Costa.
“Foi simplesmente o cumprimento contratual do que estava contratado”, sublinhou.
A concessão não só mantém a sua legalidade, como era o Estado português que estava em risco de incumprimento no contrato de concessão assinado." (in Radio Renascenca)

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Lourinha e Peniche, 1 de Novembro

No dia 1 de Novembro cumpriu-se uma visita ha muito tempo pensada - o Museu dos dinossaurios da Lourinha.
Foi uma excelente visita guiada pelo director do museu e foi necessario correrem connosco dali para fora devido a ter chegado a hora de almoco das funcionarias e o museu realmente encerrar para almoco! 
O museu possui tambem uma exposicao de arqueologia e uma coleccao dos povos e vivencias dali daquela terra - por isso os pontos de interesse nao sao restritos aos adoradores de ossadas fosseis de dinossaurios e demais bicharadas.
De Lourinha seguimos para um magnifico almoco de peixe assado em Peniche - e foi mais um dia bem passado.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Palácio e Quinta da Bacalhôa, 31 de Outubro

O dia 31 de Outubro passado foi aproveitado a percorrer outra rota da margem sul. Desta feita o destino foi a Quinta da Bacalhôa em Vila Nogueira de Azeitão e acabamos por conhecer tambem o Palacio e realizar a prova de vinhos. Queriamos tudo a que tinhamos direito, esta' claro.
A localizacao da recepcao e da adega propriamente ditas distam cerca de pouco mais de um quilometro do palacio e, por isso, andamos a saltitar de um lado ao outro. A historia, a paisagem, a vinha, a casa do lago e a arquitectura encontram-se todas elas encerradas no palacio de habitacao permanente de familia dos proprietarios, o que nao deixa de ser curioso haver o sentimento estar a andar na casa de alguem. Alguns elementos da colecao berardo tambem podem ser observados nas paredes semi-despidas do interior do piso terreo.
Na outra localizacao encontra-se a adega que transpira arte e cheira a vinho. Tudo aqui se sente deslocalizado menos as pipas. Nao que a arte seja de mau gosto - ficam aqui as fotografias que falam mais do que as palavras e ajudam a interiorizar.


O dia foi terminado em Sesimbra a degustar mariscos. Desse momento nao ha fotografias (mas ha boas recordacoes!).

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Galp aprova investimento em Moçambique

"A administração da Galp aprovou o primeiro investimento em Moçambique. O Coral Sul prevê uma unidade flutuante de liquefação de gás.

A Galp informou o mercado que o seu Conselho de Administração aprovou o investimento na área de Coral Sul, o primeiro projeto de desenvolvimento relacionado com as descobertas realizadas na Área 4 na bacia do Rovuma, em Moçambique.
O projeto Coral Sul consiste na construção de uma unidade flutuante para a liquefação de gás natural (FLNG) com uma capacidade anual superior a 3,3 milhões de toneladas de gás natural liquefeito (GNL), a qual será conectada a seis poços.
“A FLNG será alocada ao sul da descoberta de Coral, a qual está exclusivamente localizada na Área 4 e contém cerca de 16 Tcf (triliões de pés cúbicos) de gás no jazigo. O volume total de gás natural descoberto na Área 4 é estimado em cerca de 85 Tcf, incluindo a relevante descoberta de Mamba”, diz a petrolífera nacional.
Em outubro de 2016, o consórcio assinou um acordo com a BP para a venda do volume total de gás natural liquefeito produzido pela FLNG de Coral Sul, por um período de 20 anos.
“Devido à dimensão e qualidade dos recursos na bacia do Rovuma, à sua localização e às potenciais economias de escala, é esperado que esta venha a desempenhar um papel fundamental na indústria do gás natural, bem como na transformação do contexto económico de Moçambique”, diz a Galp-
A Galp detém uma participação de 10% no consórcio para o desenvolvimento da Área 4. A Eni é a operadora com uma participação indireta de 50% através da Eni East Africa, a qual detém uma participação de 70% na Área 4. A Kogas e a ENH detêm uma participação de 10% cada no projeto, enquanto a China National Petroleum Corporation (CNPC) detém uma participação indireta de 20% através da Eni East Africa.
“A aprovação do investimento pela Galp constitui um marco relevante para a tomada da Decisão Final de Investimento no projeto, a qual, além de requerer a conclusão e assinatura de toda a documentação relevante, está dependente da aprovação do projeto pelos restantes parceiros no consórcio, da conclusão do financiamento do projeto e da aprovação das condições relativas ao financiamento (carry) da participação correspondente à Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH) por parte do Governo Moçambicano”, contextualiza a Galp." (in O Jornal Economico)

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Cientistas portugueses desvendam o mistério das flores do Cretácico

"Darwin chamou-lhe o abominável mistério: como surgiram as plantas com flor no Cretácico? Um projecto português junta pistas para responder.
 
 
 
Dois dos três investigadores do projecto ANGIOGAL escavam afincadamente em Rio de Mouro neste escaldante mês de Julho. Pela estrada que serpenteia entre urbanizações nesta freguesia dos subúrbios de Lisboa, passam veículos ocasionais. Os tripulantes pasmam, sem excepção, com os dois vultos que, de picareta na mão e suando em bica, descascam o barranco argiloso. Não valeria a pena explicar-lhes que se trata de uma campanha paleontológica ou que, no coração de Rio de Mouro, está acessível uma das camadas mais importantes do Cretácico. Ninguém acreditaria, de qualquer maneira. E, no entanto, João Pais, da Universidade Nova de Lisboa (UNL), e Mário Mendes, docente da Universidade de Évora (UE), retiram freneticamente blocos rectangulares de argila, datados de há cerca de 130 milhões de anos, um dos intervalos mais quentes da vida no Cretácico, durante a qual as temperaturas elevadas cobriram os pólos de vegetação, permitindo que espécies de dinossauros ali afluíssem. Na verdade, os dois investigadores pro-curam pistas para solucionar um mistério da evolução, formulado pelo evolucionista dos evolucionistas, Charles Darwin, em 1879. E talvez estejam um pouco mais próximos da solução.
 





 
Acima: Coloridas artificialmente e ampliadas, estas imagens microscópicas dão conta do exuberante mundo vegetal que despontou no Cretácico. Pólenes e sistemas de reprodução de várias espécies têm sido descobertos em jazidas portuguesas, ao abrigo do projecto ANGIOGAL. Imagens microscópicas cedidas pelo Projecto ANGIOGAL.
 
Estamos num laboratório da Universidade Nova de Lisboa, no Monte de Caparica. Passamos apressadamente por cartazes que anunciam o GSI, programa educativo de Geologia sob Investigação, tentativa gloriosa do Departamento de Ciências da Terra para cativar alunos para a ciência dos solos e da evolução da Terra. Os blocos de argila de jazidas como as de Rio de Mouro já foram lavados, secos numa estufa a 30ºC, transformados numa papa e lavados num crivo com malha de 0,125mm. Restam pequenos fragmentos carbonosos, imperceptíveis a olho nu, mas com material potencialmente novo para a ciência.
 
Na verdade, a paleobotânica deu um salto qualitativo à medida que a tecnologia forneceu ferramentas para analisar os micro e mesorrestos fossilizados. No passado, coubera aos paleontólogos a tarefa de discernir o lugar evolutivo dos macrorrestos na árvore genealógica das plantas. João Pais, por exemplo, doutorou-se em 1982 em paleobotânica com uma tese sobre macro e microrrestos do Miocénico (entre 23 e 5 milhões de anos), uma inovação para a época, tornada possível pelos então potentes microscópios ópticos. Hoje, investigadores como Mário Mendes trabalham habilmente com microscópios electrónicos, de ampliações inimagináveis. E concentram-se nos pólenes, os grãos produzidos pelas flores das angiospérmicas, que ajudam a perceber o sistema reprodutor das plantas. Cunhou-se até um novo nome para esta ciência, a palinologia, que lida principalmente com esporos e pólenes de plantas e quistos de dinoflagelados.
 

 
Estampa de Gaston de Saporta sobre a flora fóssil do Mesozóico de Portugal. Flore Fossile du Portugal, Gaston de Saporta. colecção particular de João Pais.
 
À lupa binocular, Mário Mendes procura separar os minúsculos resíduos do que foi em tempos material vegetal do Cretácico. Usa um pincel de pêlo de marta para este trabalho minucioso e que pode, no fim de contas, levar apenas à conclusão de que a amostra não possuía material relevante. Não por acaso, na parede do laboratório está afixada a figura do mestre Yoda, de “A Guerra das Estrelas”, exortação discreta das virtudes da paciência e perseverança, principais ferramentas no arsenal do palinólogo.
 Os níveis cretácicos de Portugal são importantes para a investigação da origem das angiospérmicas, uma vez que aqui estão representados os “depósitos da idade certa”, como refere João Pais. Na zona centro de Portugal, existem várias jazidas com depósitos de fases essenciais para a resolução desta equação evolutiva. Todos os andares do Cretácico Inferior estão cá representados. Aliás, na década de 1980, a abertura de novas estradas gerou janelas temporais de acesso a estratos limpos destes períodos, permitindo colher muito material a quem tivesse os óculos certos para o contemplar. Else Marie Friis, paleontóloga sueca, foi uma das investigadoras que rumou ao nosso país para fazer colheitas nestes estratos, que resultariam na publicação de vários artigos sobre novas espécies de sementes, frutos e pólenes.
 

 
Uma história aos repelões: A actividade polinizadora dos insectos do Cretácico Inferior contribuiu para o sucesso das angiospérmicas.
 
Quase duas décadas depois, ao tomar a decisão de investigar as angiospérmicas do Cretácico Inferior no seu doutoramento, Mário Mendes sabia que existia uma porta na Suécia à qual poderia bater para receber informação sobre o estado da arte. Não se enganou. Foi recebido no Museu Sueco de História Natural por Friis e, regressado a Portugal, direccionou algumas campanhas para novas jazidas. Apareceram novos materiais, embora, como refira o investigador de Évora, “nestas idades, com estas características, estamos na fase em que quase tudo o que aparece é novo”.
Nasceu em simultâneo o projecto ANGIOGAL, uma parceria da UNL, da UE e da Universidade de Coimbra (esta, através de Jorge Dinis, do Instituto do Mar). O objectivo é ambicioso: estabelecer a paleoecologia das angiospérmicas, definindo em que ambientes viviam estas plantas e em que climas sobreviviam.
 
A dificuldade é evidente: as plantas com flor eram minoritárias nesta fase da vida na Terra e escasseiam no registo sedimentar, o que obriga a equipa do projecto a campanhas como a de Rio de Mouro, sem perspectiva garantida de sucesso. A recompensa, porém, é satisfatória: boa parte das descobertas são inéditas e já deram origem à publicação de quatro artigos científicos, identificando duas novas espécies, um novo género e uma descoberta improvável: o pólen e o sistema que o gerou no mesmo registo.
 
 O que podemos aprender com a evolução das plantas com flor? Enquanto folheia páginas da obra pioneira de Gaston de Saporta sobre a flora fóssil de Portugal, João Pais enuncia algumas lições: “Estas plantas surgiram numa fase muito quente da vida no planeta. Adaptaram-se. Dão informação sobre o ambiente daquela altura, permitindo reconstituir a paisagem em que se inseriam. E fornecem ainda informação sobre ‘truques’ anatómicos: como faziam para não perder a preciosa água, por exemplo. São um repositório valioso de informação.”
 

Tétrada de pólenes recolhida no Juncal. Imagem microscópica cedida pelo Projecto ANGIOGAL.
 
Aos comandos da potente microscópico electrónico do Centro Hércules da Universidade de Évora, Mário Mendes documenta a fase derradeira do trabalho que começou no campo, de picareta na mão. No ecrã, reflectem-se algumas estruturas enigmáticas. Assemelham-se a crateras lunares, frutos exóticos, aglomerados de grãos de café. Na verdade, assistimos a uma galeria de pólenes de várias novas espécies. Realista, o palinólogo duvida que todo o abominável mistério de Darwin se resolva com estes achados. “As plantas com flor não surgiram do nada. Indubitavelmente, terá de existir uma relação filogenética com outros grupos de vegetais preexistentes.” Quais? Não se sabe. “As relações entre grupos vegetais extintos são ainda mais difíceis de resolver”, continua Mário Mendes. “Parece-me existir ainda um longo caminho no puzzle da evolução. Possivelmente, os estudos com base nos dados provenientes da sequenciação do DNA possibilitarão alguns avanços nesta área”, permitindo estabelecer laços de familiaridade entre as espécies já descobertas e as suas contemporâneas. Mas será um trabalho moroso e de paciência.
Bem a propósito, a poucas horas da conclusão desta reportagem, Mário Mendes enviou uma mensagem de correio electrónico com a actualização das análises do material recolhido em Rio de Mouro: “As amostras têm-se revelado algo pobres”, escreveu. “Até ao momento, ainda não apareceu nada com interesse.” 
De volta ao campo, portanto.
 
Adenda: O Professor João Pais faleceu em 2016."
 
(in National Geographic Portugal - texto de Gonçalo Pereira)