quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Lysá Hora - Moravskoslezske Beskydy

Moravskoslezske Beskydy designa uma cadeia montanhosa da Republica Checa que inclusivamente se estende até à Eslováquia, tendo como ponto mais elevado Lysá Hora a 1323 m. O seu nome remete para a divisão histórico-geográfica entre a Morávia e a Silésia. A origem do relevo é Terciária e deriva de fenómenos associados à orogenia alpina.
Enfim, chega de introdução.
No final do passado Outubro, aproveitando o ainda bom tempo e a escassez de neve, foi concretizada a subida a Lysá Hora, num total de cerca de dez quilómetros a subir por montes e mato. Para dizer a verdade foi extenuante. O declive é bastante elevado e o ritmo da caminhada quebrou-me o corpo, que andou a queixar-se pelos dias seguintes, sendo os gémeos e os glúteos aquilo que padecia de maior queixume (uns devido à subida e outros pela desci
da, como será fácil de adivinhar). A caminhada durou mais de três horas até ao topo e cerca de duas horas e meia para o caminho inverso. Apesar de estar integrado num grupo passei a maior parte do tempo a caminhar sozinho, de mochila às costas e maquina fotográfica na mão. A floresta, bastante cerrada por vezes, possui a sua linguagem própria, e comunica sob a influência do vento - há que encontrar os diferentes sons entre os silêncios. Avistam-se gamos nestas paragens e na altura não me ocorreu felizmente que também há lobos e ursos. O caminhar sozinho e as tretas dos silêncios é muito bonito desde que não se dê de caras com alguma bicharada esfomeada.
Dei por mim a avistar as grandes antenas de comunicação no topo da montanha quando apanhei novamente o grupo que ia à minha frente. O ultimo quilómetro é de declive muito acentuado e o gelo dificulta o equilíbrio na rocha crua e desflorestada. Já lá em cima, seguem-se momentos de descanso e rectificação energética numa pequena cabana de madeira aquecida, a chata Lysá Hora. A conversa é animada mas, depois de tiradas as fotografias da praxe e de uma pequena escaramuça envolvendo bolas de neve, faz-se hora de descer. Anoitece quando estamos quase no final do nosso trajecto.
Chego exausto ao carro depois de cerca de vinte quilómetros caminhados. Não sinto os pedais durante a condução até ao hotel. Foi um dia bom.












sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Afinal chama-se frio...

Pois ao que parece ontem o termometro congelou nos 23 graus negativos e a temperatura ainda promete descer amanha. O gelo e a neve passaram a fazer parte do meu dia a dia. O verao desta terra é o inverno portugues.
Mas que desgraça.


domingo, 12 de dezembro de 2010

Um calor esquisito este...

Estou de volta a Terlicko. Desta feita, estou a tomar contacto com a neve de uma forma mais profunda e, apesar da minha estadia ser muito recente, ja deu para perceber a ideia. O frio torna qualquer incursao exterior muito breve e a neve em si, além de enervante, é também perigosa. Aquela intermitencia branquinha no ar e o manto suave que se forma no chao sao apenas uma camuflagem. Recordo-me agora que ainda hoje vi um carro virado ao contrario quando ia a conduzir para o trabalho.
No fundo o que eu quero dizer é que isto é muito bonito mas é na televisao.


sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

XXIV Feira Internacional dos Minerais, Gemas e Fósseis

O mau tempo potencia de sobremaneira a mudança nas nossas rotinas diárias e ocupação do tempo livre. Daí que, para mim, visitar um museu seja claramente um programa de Inverno. Proximamente, de 8 a 12 de Dezembro, volta a feira dos minerais ao museu de história natural e voltarei eu à feira uma vez mais. Não é necessário ser um interessado em pedras para frequentar esta exposição exótica; a garantia única será a de que a curiosidade levará ao espanto. Assim tem sido sempre e por isso é que aconselho a visita.
Para mim, esta feira significa mais que um simples mercado onde se vende a imaginação da mãe natureza. Por entre pedras e pedrinhas, descubro sempre o miúdo que um dia, já há muitos anos, nesta mesma feira, quis ser geólogo.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Petrobras acredita que há petróleo em Portugal

Quatro anos depois de ter apostado na pesquisa de petróleo e gás natural na bacia de Peniche, a brasileira Petrobras continua a acreditar que vale a pena investir neste projecto - uma empreitada onde a perfuração de um poço poderá custar cerca de 100 milhões de dólares (74,7 milhões de euros).

Parceira das portuguesas Galp (30%) e Partex (20%), a Petrobras (50%) defende que, mesmo sendo um projecto de alto risco", há 10% a 12% de probabilidades de encontrar o tão desejado ‘ouro negro' na costa portuguesa. São números que não assustam o responsável pelo negócio do grupo brasileiro em Portugal, José de Freitas. Com um optimismo moderado, o gestor explica, em entrevista ao Diário Económico, que "estes são os números da indústria de petróleo. Quando a possibilidade de sucesso ultrapassa os 30%, é uma alegria tremenda".

Pior do que não encontrar nada, diz, é quando se descobre algo, obrigando a decidir se vale a pena continuar a injectar dinheiro na exploração. Prova disso são os 200 milhões de dólares (150 milhões de euros) que a Petrobras acaba de aplicar num poço na Turquia, no Mar Negro, com ‘resultado zero'. (noticia daqui)

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Těrlicko, Česká republika

Cheguei ja la vao duas semanas. Estava muito frio na primeira semana e lembro-me de pensar que nao estava preparado para este clima. Os portugueses sempre se deram melhor com o tempo quente - os nossos antepassados foram descobrir novos mundos sobretudo para sul, pois bem. Felizmente, no fim de semana o tempo mudou e o frio aterrador deu lugar a um ameno Outono. E tudo se tornou bastante mais suportavel. A neblina levantou, o ceu mudou de cinzento para azul e o gelo matinal foi substituido pela imensa folha caduca.
Estou em Těrlicko, uma terra pequena perto de Ostrava, a terceira maior cidade da Republica Checa, a cerca de dez ou quinze quilometros da fronteira com a Polonia. A regiao circundante é bastante rural mas a presença de um lago atrai bastantes turistas, sobretudo no verao, ao que parece.

sábado, 23 de outubro de 2010

Viagem a Ostrava

Como sempre, parti de Lisboa. De Zurique a Viena, acabando em Ostrava, foi assim o trajecto do meu dia de viagem. As paragens, uma vez mais, foram demasiado curtas para visitas. O facto de ser viajante com destino e hora de chegada nem sempre é de louvar. Talvez, tivesse eu mais liberdade, me perdesse por alguns destes destinos para estadias mais ou menos prolongadas, dependendo da minha vontade. Talvez.
Talvez noutro dia.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Feira de Castro Verde 2010

No fim de semana passado passei por Castro Verde a caminho do Algarve. Parei para ver a feira e para visitar amigos. Apesar da breve estadia ainda tive tempo para enfeirar qualquer coisa. Curta mas gostosa esta paragem. Despedi-me de amigos e da feira, com a intençao de regressar no proximo ano e com mais tempo. Chegado ao Algarve, refiz-me da viagem e ate passei de bicicleta pela praia no dia seguinte. Refiz planos para adiar o meu regresso a Lisboa. Refiz os planos feitos com a noticia da minha subita partida para a Republica Checa. Regressei a Lisboa. Estou na Republica Checa desde quarta-feira.
A vida sera sempre uma viagem.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

XXVII Lição Manuel Rocha

Como de costume, estarei fora de Portugal mas fica aqui divulgado o evento para os interessados. O convidado deste ano é o professor Luís González de Vallejo (sim, o tipo que escreveu aquele livro de capa amarela) e a lição será dedicada à relação entre o risco geológico e o design de infra-estruturas de larga escala. A não perder.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Istanbul, pela terra e pelo ar

Desta vez estava preparado. Trazia comigo o guia turístico da Turquia e o mapa detalhado de Istanbul. Estava confiante e acima de tudo preparava-me para ser "obrigado" a ficar um dia a visitar a cidade devido à súbita alteração do voo de helicóptero que me iria levar do mar negro a terra. O plano seria aterrar a meio do dia no aeroporto de Sabiha Gokçen (a este do Bosforo, portanto já na parte asiática) e daí faria o trajecto de carro para o "meio" de Istanbul, ficando a pernoitar algures por esses lados, até ao dia seguinte, quando teria que apanhar finalmente o meu voo de volta a Lisboa.
O que aconteceu, na verdade até foi semelhante, sem a parte de ficar a pernoitar, anulando-se também a parte turística. Fui directo para o aeroporto de Ataturk onde tive que aguardar pelo meu voo, conseguido à ultima da hora para o próprio dia, fazendo escala em Madrid. Há bens que também vêm por mal. Numa cidade com quase vinte milhões de habitantes convém não brincar com o trânsito; tive que abdicar da visita a um qualquer palácio, templo ou museu que fosse. Ao invés, fiquei sentado num aeroporto durante quase três horas, sem que me permitissem aliás realizar o check in com antecedência.
Fica-me o pesar de ter passado quatro vezes por Istanbul sem nunca ter visitado a cidade. Haverá males piores; ainda assim consegui reunir algumas fotografias tiradas a bordo do helicóptero ou do interior do carro. De mapa em riste, sempre tive a noção por onde andei ou voei. Por isso é que sei que me faltou ver tanta coisa.
À partida, não disse adeus. Mesmo sabendo que não será em breve, disse até outro dia.