quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Těrlicko, Česká republika

Cheguei ja la vao duas semanas. Estava muito frio na primeira semana e lembro-me de pensar que nao estava preparado para este clima. Os portugueses sempre se deram melhor com o tempo quente - os nossos antepassados foram descobrir novos mundos sobretudo para sul, pois bem. Felizmente, no fim de semana o tempo mudou e o frio aterrador deu lugar a um ameno Outono. E tudo se tornou bastante mais suportavel. A neblina levantou, o ceu mudou de cinzento para azul e o gelo matinal foi substituido pela imensa folha caduca.
Estou em Těrlicko, uma terra pequena perto de Ostrava, a terceira maior cidade da Republica Checa, a cerca de dez ou quinze quilometros da fronteira com a Polonia. A regiao circundante é bastante rural mas a presença de um lago atrai bastantes turistas, sobretudo no verao, ao que parece.

sábado, 23 de outubro de 2010

Viagem a Ostrava

Como sempre, parti de Lisboa. De Zurique a Viena, acabando em Ostrava, foi assim o trajecto do meu dia de viagem. As paragens, uma vez mais, foram demasiado curtas para visitas. O facto de ser viajante com destino e hora de chegada nem sempre é de louvar. Talvez, tivesse eu mais liberdade, me perdesse por alguns destes destinos para estadias mais ou menos prolongadas, dependendo da minha vontade. Talvez.
Talvez noutro dia.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Feira de Castro Verde 2010

No fim de semana passado passei por Castro Verde a caminho do Algarve. Parei para ver a feira e para visitar amigos. Apesar da breve estadia ainda tive tempo para enfeirar qualquer coisa. Curta mas gostosa esta paragem. Despedi-me de amigos e da feira, com a intençao de regressar no proximo ano e com mais tempo. Chegado ao Algarve, refiz-me da viagem e ate passei de bicicleta pela praia no dia seguinte. Refiz planos para adiar o meu regresso a Lisboa. Refiz os planos feitos com a noticia da minha subita partida para a Republica Checa. Regressei a Lisboa. Estou na Republica Checa desde quarta-feira.
A vida sera sempre uma viagem.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

XXVII Lição Manuel Rocha

Como de costume, estarei fora de Portugal mas fica aqui divulgado o evento para os interessados. O convidado deste ano é o professor Luís González de Vallejo (sim, o tipo que escreveu aquele livro de capa amarela) e a lição será dedicada à relação entre o risco geológico e o design de infra-estruturas de larga escala. A não perder.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Istanbul, pela terra e pelo ar

Desta vez estava preparado. Trazia comigo o guia turístico da Turquia e o mapa detalhado de Istanbul. Estava confiante e acima de tudo preparava-me para ser "obrigado" a ficar um dia a visitar a cidade devido à súbita alteração do voo de helicóptero que me iria levar do mar negro a terra. O plano seria aterrar a meio do dia no aeroporto de Sabiha Gokçen (a este do Bosforo, portanto já na parte asiática) e daí faria o trajecto de carro para o "meio" de Istanbul, ficando a pernoitar algures por esses lados, até ao dia seguinte, quando teria que apanhar finalmente o meu voo de volta a Lisboa.
O que aconteceu, na verdade até foi semelhante, sem a parte de ficar a pernoitar, anulando-se também a parte turística. Fui directo para o aeroporto de Ataturk onde tive que aguardar pelo meu voo, conseguido à ultima da hora para o próprio dia, fazendo escala em Madrid. Há bens que também vêm por mal. Numa cidade com quase vinte milhões de habitantes convém não brincar com o trânsito; tive que abdicar da visita a um qualquer palácio, templo ou museu que fosse. Ao invés, fiquei sentado num aeroporto durante quase três horas, sem que me permitissem aliás realizar o check in com antecedência.
Fica-me o pesar de ter passado quatro vezes por Istanbul sem nunca ter visitado a cidade. Haverá males piores; ainda assim consegui reunir algumas fotografias tiradas a bordo do helicóptero ou do interior do carro. De mapa em riste, sempre tive a noção por onde andei ou voei. Por isso é que sei que me faltou ver tanta coisa.
À partida, não disse adeus. Mesmo sabendo que não será em breve, disse até outro dia.







segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Nova carta geológica de Portugal 1:1 000 000

"O Laboratório Nacional de Energia e Geologia (LNEG) publicou uma carta geológica que descreve pela primeira vez à mesma escala o substrato geológico do território do continente, das ilhas e de parte da região imersa portuguesa.

A carta, à escala de 1:1 000 000, apresentada na feira Portugal Tecnológico, que termina este domingo na FIL, em Lisboa, foi realizada segundo novas tecnologias e, além de apresentar pela primeira vez as ilhas e a parte do território escondido pelo oceânico, relaciona a diversidade do substrato geológico do território com as respectivas idades geocronológicas.

Até agora existia uma outra carta geológica, de 1968, agora obsoleta, que apenas continha o continente e que foi realizada ainda antes da divulgação da teoria das Placas Tectónicas e da evolução recente de conceitos científicos ligados à geologia." (noticia daqui)

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Tempestade no Mar Negro

Dei por mim a percorrer uma infima parte desta imensa blogosfera portuguesa e constato que, sem querer, acertei nas paginas certas. Senao, nao saberei como explicar a sabedoria que me foi transmitida, o meu presente estado de iluminado. Por entre dialogos futeis, conversas sobre sapatos, e devaneios literarios, ele ha de tudo. E, no entanto, sinto-me excluido. Nao me meto em confusoes das trocas de comentarios, que muitas vezes tem um sentido escondido e servem de mensagem para outros. Nao entendo o mundo secreto das malas e sapatos de senhora, quanto mais de outro tipo de acessorios. Custa-me ainda admitir mas, o bloguista mais comum parece ja ter lido os livros todos enquanto que aqui o pobre, carrega apenas o seu segundo livro de Saramago, para durar 3 semanas do (pouco, eu sei) tempo livre. Estou claramente fora.
Contudo, confesso que me agradam certas polemicas e picardias deste microcosmos da blogosfera. Sem nunca ter participado nelas, vejo-me a aplaudir silenciosamente certos comentarios ou respostas a letra. Da miuda que tem mau feitio, ao gajo que tem a mania que e esperto, passando pela outra que pensa que e do piorio, tenho os meus preferidos certamente. Cada qual desenvolveu a sua propria identidade que projecta no seu blog ou no do alheio. Legioes de seguidores aplaudem de pe e lancam farpas aos bloguistas adversarios que deles discordam, seja o assunto um novo livro ou a nova coleccao da HM. Gosto em particular dos emaranhados intelectuais de que padecem certos blogs e seus visitantes, onde verborreias cronicas se despejam diariamente, ao quilograma, misturando-se hermeneuticas, religiao e merdas. Sim, aprendi muito recentemente que uma certa dose de palavras menos correntes, misturadas com uma ou outra de calao esta na moda e aconselham-se. Sera como o tempero do novelo de esparguete em que se transformou o, decerto, bem intencionado texto. Ao que parece, o bloguista desenvolve o status de intelectual, mas que nao sera um qualquer; sera aquele que fala de Descartes melhor que ninguem mas que simultaneamente pragueja como deve ser. Haja distincao. Ha uns iluminados, e so depois os outros.
E no entanto, aparentemente todos se conhecem, neste extenso mundo de ideias, onde no fundo, todos estamos a distancia de uns quantos cliques. Sublime.
Isto tudo surge-me assim, quando queria apenas comunicar que estou presentemente a bordo de uma Semi-Sub, a Leiv Eiriksson, a flutuar no mar negro, durante uma tempestade. Para alguem menos avisado que esperava talvez uma descricao de uma aventura qualquer, talvez ate interessante, apresento-lhe desde ja as minhas desculpas. Aqui so se escreve sobre vida real.

A Leiv Eiriksson aquando da sua passagem pelo Bosforo, em Istanbul (a fotografia nao e minha).

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Dormir com as estrelas

Não trouxe mais recordações da Turquia para além daquelas que cabem na minha memória. Não tirei as fotografias que desejava aos altos minaretes e mesquitas que apenas vislumbrei de longe. Não segui o caminho das muralhas romanas ou das pontes bizantinas. Não cheguei a conhecer Istambul de perto. Não tenho as fotografias do turista que foi à Turquia. Contudo, tenho a fotografia em andamento de uma aldeia a sudeste de Diyarbakir. As casas são pobres como as pessoas mas não foi isso que me chamou a atenção; o interessante foi constatar que aqui se dorme em camas instaladas no telhado, sendo o ar livre o refugio para o calor do interior das casas. Aqui, sonha-se mais perto das estrelas.

sábado, 14 de agosto de 2010

A Sudeste de Diyarbakir, assim como quem vai para o Iraque, em pleno Curdistão turco...

Cheguei ontem, cansado e dormente. Embora tenha estado apenas uma semana fora, a viagem pesou.
Tudo começou pela manhã, com um taxi que chegou atrasado e com uns cerca de setenta quilómetros a separar-me do aeroporto, em Diyarbakir. Consegui chegar a tempo. Aliás, no que toca a aviões, não tenho perdido nenhum. E assim continuei o meu trajecto, a saltitar de avião para a avião. De Diyarbakir para Istambul, daí para Munique e, finalmente, até Lisboa, já pela noite adentro.
Para dizer a verdade, fiquei bastante agradado com a Turquia em muitos aspectos. Apesar de estar na região dos curdos, aparentemente insegura, não vi mais que uma ocasional kalashnikov ou o raro tanque. Sei também que recentemente a guerrilha curda explodiu um oleoduto algures mas o problema deles não é seguramente comigo, portanto senti-me mais ou menos à vontade para fazer e falar o que me apetecesse. Gostei das paisagens, da simplicidade das pessoas e da história da região. Diyarbakir por exemplo, possui uma imponente muralha romana, extremamente bem conservada, a circundar a cidade, que foi do pouco que pude ver. Istambul também não vi muito de perto mas ter passado por lá já me deixou contente e fez-me pesquisar os pontos de interesse. Aliás, comprei um guia de viagem da Turquia e, folheá-lo novamente agora, dá-me vontade de correr o país de uma ponta à outra. Talvez noutro dia, noutra viagem e, preferencialmente, como turista.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Festival dos Oceanos em Lisboa

O melhor que tenho a fazer antes de ser lançado para dentro de mais um avião é aproveitar esta Lisboa de hoje que cada vez mais considera os tais como eu, os que também vivem de noite. Assim sendo, aceitei os convites que a cidade me fez e fui passear estas tardes à baixa, para terminar a noite na praça do comércio ou na praça do município. A primeira fez-se encher no sábado para a muito aguardada performance da Lauryn Hill. Digo muito aguardada porque efectivamente se esperou muito, tendo eu inclusivamente zarpado para outras bandas antes da senhora soltar a voz.
O momento alto da semana para já foi no domingo, com a companhia e voz da Mafalda Arnauth, ali mesmo de frente para edifício dos Paços do Concelho. O espaço está de facto muito bem aproveitado para o efeito e os fadistas que por lá irão passar nos próximos tempos foram muito bem escolhidos.
Há que dar mais de Lisboa a Lisboa.